Retalhos do Calçadão
Ao longo das minhas caminhadas pelo calçadão da Atlântica;
Muito aprendi, muito prazer senti.
Cabelos ao vento, brisa em meu rosto, sol em meu corpo.
Para os olhos, uma festa;
A cada dia a natureza nos oferece um espetáculo gratuito,
Pintando o céu de um azul belíssimo!
O mar torna-se um imenso lago, que ao beijar a areia quebra seu colar de
pérolas, misturando-se com a areia quente.
Guarda-sóis coloridos espalham-se pela areia, embelezando a orla.
Uma massa humana se divide nas cadeiras de praia, nas águas do mar, na
areia e no calçadão.
Caminhando, vou observando, curtindo e ouvindo;
Retalhos de conversas de: homens, mulheres, crianças e anciões;
Entre sorrisos e gritos, as falas pipocam como grãos de milho a estourar
na panela, cada vez mais quente, mais saltitante.
Fico atenta ao pipocar, impulsionada pelo desejo de melhor conhecer o
ser humano.
Neste ir e vir teço minha colcha de retalhos.
Ao finalizar, um sentimento de tristeza borbulha;
A maioria dos retalhos eram queixas e lamentações;
Queixas sobre: custo de vida, desemprego, desamor, traição doenças,
remédios, insônia, pesadelos.
As pessoas conseguem dar as costas ao cenário de beleza e esplendor.
Ficam centradas em seu pequeno mundo, confinadas em seu próprio
sofrimento.
Penso que muitas delas, devem estar viciadas nas emoções do sofrimento,
que as impulsionam a alimentar este sentimento.
Não se permitindo ver o que a natureza esta a oferecer.
Não se permitindo desfrutar do grande presente, que é a própria vida.
Continuo caminhando, atenta ao pipocar das falas,
Com a esperança de que a próxima colcha eu possa ter mais retalhos.
Retalhos de amor, retalhos de alegria, retalhos de ternura.
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Autoria, produção e publicação: Claudete de Morais
Psicóloga com formação Psicanalítica
CRP/12/01167
Direitos
Autorais Reservados.
Proibida
Reprodução.
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