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Nicholas C. Vamvakopoulos, George P. Chrousos e seus pesquisadores, do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano, em Washington, descobriram, por exemplo, que níveis altos de estrogênio elevam a atividade do gene liberador do hormônio corticotropina humano (CRH).
Esse gene controla a secreção de CRH por meio de uma região do cérebro chamada hipotálamo. O CRH leva a glândula pituitária a liberar o hormônio adrenocorticotrópico (ACTH), que cai na corrente sangüínea e acaba atingindo as glândulas supra-renais, onde estimula a secreção do cortisol. Assim, aumentando a excreção de CRH, o estrogênio pode incrementar a de cortisol. Elizabeth A. Young, da Universidade de Michigan, e outros estudiosos, mostraram como as fêmeas de ratos são mais resistentes aos efeitos retroativos negativos do cortisol do que os machos ou as ratas castradas. Mostraram também como as mulheres reagem ao cortisol por um longo tempo durante o seu ciclo menstrual, isto é, quando o estrogênio e a progesterona estão com os níveis mais elevados.
Não está claro se a depressão é causa ou conseqüência do nível elevado de cortisol, mas os dois estão sem dúvida, relacionados. Nas últimas décadas, vários estudos mostraram que o nível de cortisol é alto em cerca de metade das pessoas com depressão severa, tanto homem quanto mulher. Portanto, a idéia é esta: se o estrogênio aumenta o nível de cortisol depois de um stress, ou diminui a capacidade do cortisol de interromper sua própria secreção, então ele deve tornar a mulher mais propensa à depressão, particularmente após um evento estressante.


Transtorno sazonal


Apesar de sua importância, o estrógeno e o cortisol não são os únicos hormônios envolvidos na depressão feminina, bem como o stress não é a única influência do meio que se volta mais para um lado do que para o outro. Descobertas de Thomas A. Welu; Norman Rosenthal e colegas, do Instituto Nacional de Saúde Mental, indicam que mulheres podem ser psicologicamente mais sensíveis, por exemplo, à variação da luz, quando expostas ao claro e ao escuro. Os dois pesquisadores nutriam antigo interesse pelos mecanismos do transtorno afetivo sazonal (SAD), também conhecido como depressão de inverno — embora possa ocorrer durante o verão; e pelo papel que o hormônio melatonina pode desempenhar na doença. Assim como outras manifestações de depressão que envolvem os gêneros, o SAD é três vezes mais comum em mulheres do que em homens.
A melatonina é a principal suspeita no caso do SAD porque é secretada em todos os organismos (incluindo o humano) quando está escuro e nosso relógio interno, localizado no hipotálamo, acredita que é noite. A glândula pineal, uma pequena estrutura que reside no fundo do cérebro dos mamíferos, começa a liberar melatonina à noitinha, quando a luz do sol acaba. O nível de melatonina cai de manhã, quando a luz atinge a retina dos olhos. Como as noites são mais longas no inverno que no verão, os animais que vivem na natureza secretam melatonina diariamente por períodos mais longos durante o inverno. Entre os animais que se reproduzem no verão, essa secreção diária prolongada de melatonina encerra a produção de esteróides gonadais, que facilitam a reprodução.
Pesquisadores de SAD se perguntam se o aumento do período de secreção de melatonina, no inverno, não poderia desencadear sintomas de depressão em indivíduos suscetíveis. Numa série de estudos em andamento com o objetivo de responder a essa questão, Wehr e sua equipe perguntaram inicialmente se os seres humanos estão sujeitos, como os animais, a variações na secreção de melatonina, de acordo com as alterações climáticas. É uma questão importante, pois a projeção de uma luz artificial permite aos humanos ter um verão sem paralelo com os animais que vivem na natureza. Para descobrir, Wehr mediu a secreção de melatonina em 15 indivíduos, durante 14 horas de exposição em completa escuridão. Posteriormente, reduziu para apenas oito horas o tempo de exposição à escuridão completa, a cada noite. Os resultados dessa experiência, realizada com uma maioria de homens, foram positivos: pessoas expostas a longos períodos de escuridão secretam melatonina por períodos mais longos, como os animais selvagens.

 
 

 

Os pesquisadores quiseram saber, mais tarde, se essa sensibilidade natural a mudanças entre claro e escuro persistiria enquanto as pessoas seguissem sua rotina, de acender luzes artificiais à noite como fazem normalmente. E aí, se surpreenderam com uma diferença que envolve os gêneros. Sob condições normais de vida, as mulheres são mais sensíveis a mudanças sazonais que alteram a duração do dia. Em outras palavras, a secreção noturna de melatonina entre o sexo feminino é mais prolongada no inverno do que no verão; no masculino, não há essa diferença. Tais resultados sugerem que as mulheres são mais sensíveis à luz natural do que os homens e mesmo em uma sociedade em que o uso da luz artificial é disseminado, elas ainda assim são capazes de detectar as variações sazonais que influem na duração do dia, ou da luz natural. Se essa diferença de gênero submete as mulheres a um maior risco de adquirir SAD não está claro: existem evidências de que com sintomas de SAD elas podem ser menos propensas que as saudáveis, a ter mais secreção de melatonina no inverno, paradoxalmente.
 

Para complicar a história ainda mais, a relação entre essas descobertas e as relativas ao cortisol e ao estrogênio também não está clara, porque não sabemos se a duração da secreção de melatonina afeta a função reprodutora da mulher, como com certeza afeta a reprodução dos animais. Pesquisadores estão agora trabalhando para esclarecer a complicada relação entre esses sistemas hormonais e determinar se, e como, eles podem influenciar no risco individual de depressão.


Competição Social


Se o organismo feminino é, de fato, particularmente sensível a mudanças ambientais e sazonais, a explicação pode estar no sistema que controla a serotonina, um dos inúmeros neurotransmissores usados pelas células nervosas para se comunicar. A serotonina modula tanto a secreção de cortisol quanto a de melatonina.

A semelhança entre os nomes serotonina e melatonina não é acidental: esta é sintetizada diretamente da primeira, e as duas têm uma estrutura química muito semelhante. E inúmeras evidências indicam que a disfunção no sistema serotoninérgico, ou na secreção de serotonina, contribui para os transtornos da depressão e de ansiedade, mais comuns em mulheres que em homens. Pesquisas recentes em animais e seres humanos possibilitaram estabelecer critérios preliminares, porém fundamentais, sobre esse sistema.
Primeiro, parece que o sistema serotoninérgico conecta o sistema nervoso dos animais ao seu ambiente físico e social. Isto é, não apenas o stress e a luz do sol atuam via sistema serotoninérgico: mas a competição social entre os animais também parece afetar seus níveis de serotonina. Um bom número de estudos mostra que os níveis de serotonina no sangue e no cérebro mudam conforme o animal sobe ou desce no grau de dominação hierárquica. Por exemplo, maca¬cos machos dominantes muitas vezes apresentam níveis mais altos de serotonina no sangue do que seus subordinados. E mais: um estudo recente de ShihRung Yeh e seus pesquisadores, da Universidade do Estado da Geórgia, mostra que a sensibilidade dos neurônios de um animal à serotonina varia de acordo com o status de que ele desfruta. Especificamente, Yeh descobriu que os neurônios extraídos de um camarão de água doce recém vitorioso em uma disputa reagiram aos estímulos serotoninérgicos de forma mais intensa do que as células neurais retiradas de um camarão perdedor.

 

 

Continua
 

 

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