O Caramujo Humano
Estamos sempre preocupados com o outro, em busca do outro, desejando o
outro, mas quem é este outro?
O outro é o nosso grande espelho, que nos aplaude diante de nossas
vitórias, retratando o nosso potencial. Reflete também ás vezes, a
imagem que não aprovamos e então negamos nossas limitações, dores,
frustrações e projetamos neste outro, grande parte de nossos problemas.
Ao negarmos nossos sentimentos de medo, raiva, tristeza; sufocamos
também, as demais emoções, como: alegria, amor, etc. Nossa sensibilidade
fica congelada, deixamos que a racionalização, seja o piloto de nossas
vidas.
O outro passa a atuar como espelho de nossos sentimentos e contradições.
Da parte que não gostamos, mas que é nossa, como não a suportamos e não
admitimos a sua existência, colocamos neste alguém.
Quanto mais cresce nosso incomodo em relação ao que foi projetado, mais
o criticamos e o denunciamos. Ele torna-se o nosso perseguidor, para nos
defendermos do mesmo, construímos couraças e, nos escondemos dentro
delas.
Efetuando uma metáfora entre o homem e o caramujo, assinalo pontos
comuns e divergentes. Ambos utilizam couraças para se protegerem e as
carregam como fardos necessários para sua sobrevivência.
Pontos divergentes, muitas vezes os caramujos não são vistos, mas
sabemos que estão encolhidos em suas casas. O homem expõe a sua imagem,
só que não sabemos se esta é a imagem real, ou a idealizada. O caramujo
pode sair de sua casa, no momento que desejar. O homem quanto maior o
medo, mais reforçará a armadura, aumentando a dificuldade em sair,
tornando-se prisioneiro de sua própria defesa.
Este outro, agora tem nome, chama-se MEDO. O medo é construído por suas
fantasias, inseguranças e o desconhecimento de si mesmo. O inimigo não
está fora, não é o Outro, o inimigo está dentro de si mesmo. Ele está
atado ao inimigo, ele está amarrado ao próprio medo.
O medo às vezes está mascarado e, representado em outros comportamentos.
O medo maior do ser humano é: de perda, abandono, desqualificação, não
ser amado e, da morte.
Como vencer este inimigo?
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Fazendo o enfrentamento do medo, sempre que necessário, mesmo que seja
difícil. É na interação entre nossas potencialidades e limitações. É no
confronto dos contrastes, ora espontâneos, naturais, em outros momentos,
utilizando posturas mascaradas, no intuito de nos sentirmos mais
seguros.
É neste processo gradual de ir e vir, na busca de desatarmos os nós, que
quebraremos as sufocantes couraças. Aflorando a liberdade, o respeito
por si mesmo.
Nesta metamorfose do auto-conhecimento, mergulhamos no mar de nossas
emoções, na busca da ostra, cuja pérola, representa nossa sabedoria.
A sabedoria não se obtém com a soma dos conhecimentos, mas sim, com um
novo olhar para tudo aquilo que não é desconhecido, mas é percebido
diferente, dando novas dimensões, novos sabores, aflorando as potências
adormecidas. Assim começamos a ficar maravilhados com nós mesmos. O
florescer do nosso potencial natural passa a ser intensificado, a
borbulhar e, então compreendemos que o nosso brilho não era reflexo de
um simples zircone, mas sim, de um Diamante verdadeiro.
Autoria, produção e publicação: Claudete de Morais
Psicóloga com formação Psicanalítica
CRP/12/01167
Direitos
Autorais Reservados.
Proibida
Reprodução.
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