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derrotados pelos impulsos e pela falta de
controle, o que não era seu caso.
Celso sempre se posiciona como maestro, um diretor de cena. Diz que os
impulsos que o levam a masturbar o pênis grande dos homens não são
seguidos de culpa, nem de mal-estar. Pelo contrário. Ele adorava
cultivar seus cenários e gozava no antes, no durante e no depois, e que,
para ele, isso não era motivo de análise, porque fazia isso há anos, o
deixava feliz. No entanto, o único problema era a falta de dinheiro, o
desemprego e o fato de ser sustentado pelo pai.
Perguntei o que seu pai fazia. E ele só respondeu porque já estava
fazendo análise duas vezes por semana, tendo outras sessões "on demand"
caso pedisse.
Seu pai morava em outra cidade e era sócio de uma empresa de
transportes, com uma frota que tinha desde ônibus e táxis até carros
particulares. Porém, estava doente, meio aposentado.
Celso pede para não seguirmos com o tema, pois é isso que dá sentido à
sua vida, com intensidade e prazer.
A PERVERSÃO NÃO PASSAGEIRA
Ao pesquisar as neuroses, Freud se
defronta com a chamada virada de 1920, ou seja, com um "além do
princípio do prazer" no qual permite uma nova concepção de masoquismo
(erógeno, feminino e moral) e no qual o alerta da dor, dos excessos,
sofre uma narcotização. O princípio do prazer não é mais imperador da
regulação do gozo, podendo o sujeito gozar com a própria dor até a
morte, "narcotizadamente".
Freud permite autonomizar uma diferenciada estruturação (tomada aqui
como uma lógica de relações), não em uma norma do sexual, mas na qual a
perversão se situa no Edipo, tendo suas marcas indeléveis como mecanismo
da recusa da castração e eleição de objeto de fetiche.
Traços perversos podem ser vistos e atuados em outras estruturas
clínicas, como neuroses, melancolias e em famílias de pacientes
psicóticos. Mas é na perversão como estrutura autônoma que encontramos
uma certeza sobre seus alvos e preferências sexuais, com o triunfo e
monumento do fetiche sobre a castração. Como já observava Freud, não era
pela perversão nem fetiche que o paciente procurava uma análise.
Diferentemente do histérico, que está sempre cedo no encontro com o
objeto, e do obsessivo, que está sempre tarde, o perverso sempre
encontra o objeto gozo e goza na hora certa, como bem assinala Lacan.
Coube a Lacan, em sua releitura de Freud, tomar a perversão como vontade
de gozo. Para ele, a angústia presente está no campo do outro, dividido
em relação ao eu e ao próprio gozo, o que traz novas vicissitudes para o
campo da demanda, transferência e direção da cura.
O perverso se oferece em análise como aquele que vai ensinar algo ao
analista.
Em suas montagens de "cenários", como
aquele ônibus errado, por exemplo, o errado tornava-se absolutamente
certo para ele. Em sua opinião, o gozar e o enganar não estão ligados à
compulsão.
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O perverso, mesmo numa cena
masoquista, é o "senhor do gozo".
Celso posiciona-se nos tratamentos como um mestre que repete o judo "sodomizante"
com seu primo. Ele determina os números e trajetos, e sabe se comportar
como um passageiro no ponto final. Não se autodenomina um compulsivo, é
monta-dor, ator, produtor e distribuidor da cena.
INEUROSE E PSICOSE
Celso acusa o pai que não o defendeu, nem o protegeu do primo mais
velho, que numa travestida luta o sodomizou. Luta esta que encobria e
que apareceu em sonhos - maneira como esboçava a fantasia primitiva do
coito parental, era um lutador imobilizando sua mãe com pênis, não havia
diferença anatômica, lugar da recusa, tamponada pelo fetiche, havia o
pênis grande e o pequenininho da mãe, e o dele Celso, que só podia
colocar a mão para interromper o motorista de sua direção e ponto final,
gozado e goza-dor.
Com o decorrer da análise, o analisante teve a possibilidade de se
descolar da posição de objeto no qual se oferece como instrumento do
gozo do outro, podendo ser um pouco mais motorista de si mesmo e
deixando de se sodomizar na posição de passageiro. Ele pôde ser mais
diretor e motorista do seu trajeto de vontade de gozo, com mais
polimorfias e menos estática da fantasia de rotas pré-montadas.
Celso parece ter saltado e começa a tentar novas direções de trabalho e
amorosas.
Na interrupção da análise passageira, enuncia: "Você me A / JUDÔ".
O difícil trabalho com clientes de estrutura perversa exige não
aplicarmos modelos da neurose e psicose, mas, sim, mergulharmos nas
peculiaridades, nas especificidade (não há normas do sexual) que a
lógica das relações nas montagens perversas, masoquistas, sádicas,
voyeuristas, exibicionistas - impõe e requer. Sobretudo numa era
cultural de tempos acelerados e de relações descartáveis, em que o "eu
sei, mas, mesmo assim" da razão cínica impera com triunfo, desafio e
gozação nas micro e macro relações cada vez mais passageiras dos
passageiros gozadores.

Fontes:
Gevertz, Suely. Material Psiquico
"Indigesto". Ciência & Vida Psique, São Paulo, n .40, p. 2-3.
Nick, Sergio. Perpétua Angustia. Ciência & Vida Psique, São
Paulo, n. 40, p. 4-7.
Costa, Sergio Cyrino. A diferença entre
ler e aprender. Ciência & Vida Psique, São Paulo, n. 40, p. 8-11
Helsinger, Luís Alberto. O Passageiro um
caso de perversão. Ciência & Vida Psique, São Paulo, n.40, p.
12-16

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