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Parte 1
Parte 2
Parte 3
antropólogos evolucionistas. O
pesquisador Daniel Ariely, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts,
nos Estados Unidos, é um deles. Ele sugere que a sociedade moderna
apresenta dois conjuntos de regras comportamentais. Existem normas
sociais "mornas e aconchegantes", planejadas para cultivar confiança,
cooperação e relacionamentos de longo prazo. E há um grupo de princípios
de mercado que priorizam a competição e o individualismo.

As trocas econômicas ocorridas ao longo da história tornaram possível
para nossos antepassados desenvolver a capacidade de reconhecer a
diferença entre situações regidas por regras sociais ou de mercado - o
que pode ter ocorrido antes mesmo do aparecimento da moeda.
Aparentemente, reconhecemos as pistas associadas com o mundo mercantil
de forma imediata e nem sempre consciente. Experimentos publicados em
2007 revelaram que um contato passageiro com conceitos ligados ao
dinheiro orienta nossa mentalidade mercadológica, suscitando
comportamentos específicos.
MAIS CONFIANÇA, MENOS DOR
A pesquisadora Kathleen Vohs, do
Departamento de Marketing da Universidade de Minnesota, em Minneapolis,
nos Estados Unidos, e sua equipe dividiram estudantes voluntários em
dois grupos e pediram que a primeira equipe montasse frases utilizando
palavras que não tinham relação com dinheiro (como "frio", "mesa" ou
"fora"). Ao outro grupo foi solicitada a realização da mesma atividade,
só que com o uso de vocábulos relacionados a finanças (incluindo,
"salário", "custo" e "pagamento"). Em seguida, solicitaram aos
indivíduos de ambas as turmas que organizassem um conjunto de discos
seguindo determinados padrões.
Os pesquisadores descobriram que os voluntários que trabalharam com
palavras com sentido monetário se dedicavam por mais tempo à tarefa antes de
pedir ajuda. Em experimentos relacionados, pessoas no grupo vinculado ao
dinheiro se mostravam menos dispostas a cooperar com os companheiros que
pediam ajuda do que as pessoas prepa¬radas com outras palavras.
Vohs sugere que existe uma dinâmica simples funcionando: "O dinheiro
torna as pessoas mais auto-suficientes e mais propensas a se esforçar
para atingir seus objetivos, mesmo que para isso precisem se isolar".
Sob a ótica socavam por mais tempo à tarefa antes de pedir ajuda. Em
experimentos relacionados, pessoas no grupo vinculado ao dinheiro se
mostravam menos dispostas a cooperar com os companheiros que pediam
ajuda do que as pessoas prepa¬radas com outras palavras.
Vohs sugere que existe uma dinâmica simples funcionando: "O dinheiro
torna as pessoas mais auto-suficientes e mais propensas a se esforçar
para atingir seus objetivos, mesmo que para isso precisem se isolar".
Sob a ótica socioafetiva podemos até desaprovar esse comportamento, mas
inegavelmente ele é útil para a sobrevivência. A habilidade para
distinguir que há normas que se aplicam a cada situação é importante
para guiar nosso comportamento. Ela evita, por exemplo, que você aja com
excesso de confiança em meio a uma negociação competitiva ou que cometa
o erro de oferecer um pagamento para sua sogra por ela ter cozinhado uma
refeição deliciosa. "Quando mantemos normas sociais e de mercado em
caminhos separados, a vida flui bem, mas, quando elas colidem, surgem os
problemas", diz Ariely.
Muitas vezes, crises financeiras podem levar à perda de controle
emocional, depressão e redução da expectativa de vida.
Numerosos estudos em psicologia descobriram uma permuta entre a busca de
aspirações extrínsecas - como riqueza, fama e imagem - e as intrínsecas,
como construção e manutenção de relacionamentos pessoais fortes.
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Em geral,
pessoas com foco nas aspirações exteriores a elas apresentam pontuações
mais baixas nos indicadores de saúde mental. Os que são fortemente
motivados pelo dinheiro têm mais dificuldade de manter relações afetivas
estáveis. Isso não significa que não deve haver nenhum foco em
aspirações materiais - pelo contrário. Todos precisam de dinheiro e de
fato há áreas importantes da vida governadas pelas normas de mercado.
Agora que os dias de crédito fácil e consumismo desenfreado parecem ter
acabado, pelo menos por enquanto, seria bom pensar que podemos
desenvolver uma relação mais equilibrada com o dinheiro. Infelizmente,
isso não é tão simples. Uma das razões foi exposta pelos últimos achados
de Vohs, que revelou outro aspecto peculiar de nosso relacionamento
mental com o dinheiro Em um estudo que será publicado en breve no
periódico Ciência Psicológica Vohs e os psicólogos Xinyue Zhou da
Universidade de Sun Yat-Sen, en Guangzhou, na China, e Roy Baumeis ter,
da Universidade Estadual da Flórida em Tallahassee, nos Estados Unidos
descobriram que as pessoas que se
sentiam rejeitadas ou eram submetidas à dor física ficavam menos
propensas a conceder prémio em dinheiro durante um jogo, proposto logo
depois da experiência desagradável. Os pesquisadores constaram também
que o simples ato de tocarem notas de dinheiro pode reduzir o stress
associado à exclusão social e diminuir desconfortes físicos.

"O dinheiro tem grande poder simbólico e funciona como um recurso de
interação cultural, habilitando as pessoas a manipular o sistema social,
para que este lhes dê o que precisam, independentemente de serem ou não
queridas", diz Vohs. E como se recursos financeiros assumissem a função
de tornar nosso ego fortalecido, pelo menos momentaneamente. Mas esse
efeito pode explicar por que algumas pessoas focam tanto aspirações
externas, ao custo de prejudicar relações afetivas?
Os psicólogos Stephen Lea, da Universidade de Exeter, e Paul We-bley, da
Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres,
ambas no Reino Unido, sugeriram outra razão para atitudes obsessivas e
pouco saudáveis com relação a finanças: acreditam que o dinheiro age em
nossa mente como uma espécie de droga de abuso, fazendo com que alguns
joguem compulsivamente e outros trabalhem ou gastem em excesso. Todas
essas manifestações podem indicar compulsão e dependência. Lea e Webley
propuseram que, como a nicotina e a cocaína, o dinheiro pode ativar
centros de prazer no cérebro, criando sensação de recompensa semelhante
à de quando fazemos algo benéfico para a espécie, como sexo. Segundo
eles, do ponto de vista neurológico, o dinheiro pode ter efeito
semelhante aos textos pornográficos, desencadeando estímulos bioquímicos
e fisiológicos que agem sobre nossas percepções e emoções.
Algumas evidências da ideia da "dependência do dinheiro" aparecem em
estudos de neuroimagem. Em um experimento publicado pela Science, uma
equipe liderada pelo psicólogo Samuel McClure, da Universidade de
Princeton, nos Estados Unidos, pediu a voluntários que escolhessem entre
receber um vale para o Amazon.com naquele momento ou um valor maior
alguns dias depois. Aqueles que optaram pela recompensa instantânea
mostraram forte atividade cerebral em áreas envolvidas no processamento
de emoções, especialmente no sistema límbico, ligado a comportamentos
impulsivos e dependência de drogas.
continua
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