Não Tenho Tempo!

 

Vivi com emoção e intensidade, lindos momentos do dia a dia;
Outros se perderam, não vi. Tempo que voa velozmente, que confunde a mente da gente. Mil informações, mil solicitações, É o avanço tecnológico a nos desafiar, a exigir novas posturas.
Este mundo cibernético e virtual abre universos fascinantes, geradores de sentimentos ambivalentes: euforia, sentimentos de onipotência este mundo está a ofertar. Por outro lado, o medo do novo e de por ele ser controlado, de nos perdemos, do que na realidade somos na confusão entre o real e o virtual.
Ao entrarmos na velocidade do tempo, muitas vezes, no piloto automático ficamos e, nos engessamos.
O tempo passa corrido, meu coração fica partido;
Ao ouvir a manchete que está a bailar, nos lábios de muita gente:
Não tenho tempo! Para me cuidar! Para me amar!Para com a família ficar!Para os filhos olhar! Para o amigo visitar!
Para exercícios físicos praticar! Para o lazer! Para o prazer!
Para com a natureza me encantar!Para amar!Para viver!
Só tenho tempo para trabalhar!

Todos estão a reclamar que o tempo passa muito rápido, já não da mais para fazer, o que antes se fazia. Temos a sensação de que o tempo reduziu e, as tarefas se multiplicaram.
As informações jorram e as pessoas correm. Lá se vão os empresários estressados, movidos pelas pressões, escravos do capitalismo, que deforma a vida de gente. Ditando normas e valores, presentes em nossas escolhas estão;
Carregamos fardos desnecessários, para o Sr. Ego agradar e o vicio alimentar:
“ Temos que ter! Temos que mostrar! Temos que acumular!”
As avenidas e estradas, entupidas de carros estão, na cabeça um turbilhão, o que fazer com toda esta confusão. A comunicação se faz através dos aparelhos desta geração.
Daí vem à saudade, da serenidade e da calmaria;
Do café da manhã, que reunia todos, com alegria;
Das roscas, dos biscoitos, dos pães quentes da padaria;
Do aroma perfumado do café, que nos inebria;
Do tempo que se destinava a falar, sobre muitas estórias,
Das famílias, dos passeios, dos sonhos, dos medos e das alegrias que cada um sentia.
Hoje a reunião ocorre com: a tv, celulares e computadores, temos a impressão que o tempo se perdeu, como também a magia das trocas afetivas, esvaeceram.
A magia do olho no olho, do calor, do afago;
Os encontros, desencontros e reencontros;
Flambados com muito amor e alegria.
Tornam-se mais difíceis a cada dia.
É momento de usarmos de discernimento, para avaliar, sentir, decidir e, redimensionar nosso viver; Buscando o equilíbrio, aprendendo a lidar com o descompasso do tempo interno com o tempo externo.
Ficar no aqui-agora, entrar nesse movimento de mergulhar em si mesmo, dentro de um processo de auto conhecimento, tendo o entendimento que o controle deste tempo, está em nossas mãos.
Na reconstrução do nosso mundo particular, usarmos a argamassa do bom senso, os tijolos do conhecimento, os ferros da fé, o cimento do amor, o reboco da determinação, e o gesso da sabedoria. Com amplas aberturas, muita luz, para tudo ver, analisar e saber escolher, priorizando um mundo melhor.

Autoria: Claudete de Morais - Psicóloga - CRP 12/ 01167

Artigo publicado no Jornal Página 3, edição de 08 de Janeiro de 2011.

Ilustração: Artista Plástica Regina Gottardi

 

 

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