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Casos clínicos de hidrofobia, por Claudete de Morais

 

As Fobias pertencem ao quadro dos Transtornos de Ansiedade, com a característica especial de se manifestarem em situações particulares, a exposição ao estímulo fóbico provoca, invariavelmente, imediata resposta de ansiedade e medo, limitando a vida do indivíduo. Dependendo do tipo da fobia, esta pode ser a geradora de muito sofrimento e angústia.
Entre os diversos casos clínicos, em que tive a oportunidades de realizar tratamento psicoterapêutico, citarei um caso de Hidrofobia, com objetivo de oferecer ao leitor um melhor entendimento do quanto estes quadros podem limitar nossa vida.
Por questões éticas irei alterar alguns dados, para preservar a identidade e os direitos reservados a esta pessoa.
Este paciente, a quem darei o nome de Lucas e a idade de 32 anos, efetuou seu tratamento ao longo de 10 meses, apresentou como queixas: muita ansiedade, medo, insegurança, dificuldades nos relacionamentos afetivos e muita insegurança no campo profissional. O medo de falhar, as cobranças que fazia continuamente a si mesmo passaram a ser verdadeiras torturas.
Descreveu que sua vida foi pontuada por muito temor desde a infância, salientou que tinha muito medo de água, que nunca havia tomado banho de mar, pois morria de medo e até para tomar banho de chuveiro era um desconforto, enquanto que para a maioria das pessoas era um prazer.

 
 

 


Ao ser questionado quanto ao fato de ter vivenciado algum episódio traumático, negou prontamente. Sugeri a utilização da Hipnoterapia como um recurso a mais, para investigarmos a sua fobia de água.

 

Ao longo de uma das regressões efetuadas, acessou uma imagem quando tinha 4 anos de idade. Estava próximo de um lago, viu sua bola dentro do lago e foi pegá-la, interrompeu a descrição, (silêncio)....gritou chorando, 'estou me afogando., socorro, socorro!'
Lucas ficou surpreso com as imagens que acessou, ao investigar sobre a veracidade do episódio constatou que era verdadeiro e para a sua surpresa, a família nunca havia comentado o fato.
Lucas acessou o episódio traumático, revivendo o medo da morte, medo este que sempre o limitou, sendo o desencadeador de sua ansiedade alta e de sua fobia. Após esta sessão, ele desativou o gatilho da fobia, ressignificando esta vivência, passou a ter uma relação normal com a água. Como também na continuidade do tratamento encontrou respostas mais eficazes para efetuar seus enfrentamentos e construir um novo padrão comportamental, buscando com coragem a realização dos seus desejos, vibrando com suas vitórias. Neste processo de mudanças foi se tornando uni ser mais seguro, sereno e autoconfiante.

Fonte: FOBIA: qual o tamanho do seu medo? Página 3, Balneário Camboriú, 24 out. 2009. Caderno Especial, p.14.

 

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