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Nesse caso fica claro que a avaliação emocional no córtex pré-frontal do lobo frontal é crucial: se ela falha devido a algum distúrbio, as pessoas afetadas tomam decisões insensatas. Falta-lhes a memória emocional necessária de situações anteriores semelhantes, o que constitui nosso patrimônio emocional.
Damásio havia tornado esse conceito popular há alguns anos como "teoria dos marcadores somáticos", segundo a qual todas as experiências de um indivíduo são assinaladas afetivamente. Assim, quando uma pessoa precisa decidir, faz uma rápida avaliação inconsciente da situação. Pessoas com um córtex pré-frontal lesionado, no entanto, não conseguem resgatar as marcas anteriores, sendo conseqüentemente obrigadas a reavaliar toda situação desde o início. É como se nunca aprendessem com suas escolhas, como se cada vez fosse a primeira.
Outros processos cognitivos são também fortemente dependentes de processos emocionais. Podemos, por exemplo, lembrar melhor de eventos associados a alguma emoção que de conteúdos matemáticos abstratos (a não ser que eles nos provoquem grande alegria ou irritação). O aprendizado é quase sempre mais fácil quando nos encontramos bem emocionalmente ou estamos afetivamente ligados àquele que nos ensina. Por outro lado, sentimentos negativos duradouros decorrentes de distúrbios afetivos como a depressão ou o estado de excitação exagerada (mania), assim como suas fases intermediárias alternantes, afetam a sensibilidade geral - e a capacidade cognitiva, que também se apresenta de maneira deprimida ou excitada.

O fato é que as emoções são indispensáveis para a interação e ação interpessoal: sem elas, os fundamentos para uma rotina bem sucedida deixariam de existir. Além disso, as emoções estão intimamente ligadas aos processos cognitivos - elas são essenciais para a capacidade de aprendizagem implícita e inconsciente, assim como para as decisões sensatas. Em outras palavras: nossos sentimentos definem essencialmente quem somos e o que fazemos.

 

 

INFLUÊNCIAS SOBRE O CORPO


Emoções e sistema imunológico são bastante ligados. Quando se puxa um dos fios, todo o conjunto se movimenta. Todavia, nem sempre está claro o que é causa e o que é efeito. Sabe-se que infecções causadas por vírus e bactérias influenciam a atividade cerebral, de maneira direta ou por meio da resposta imunológica, e podem desencadear distúrbios psíquicos. Isso ocorre porque o sistema imunológico opera como uma rede descentralizada, respondendo automaticamente a qualquer agente que invada ou perturbe o funcionamento do organismo. As células imunológicas produzidas na medula óssea, linfonodos, baço e timo se comunicam entre si por meio de pequenas proteínas chamadas citocinas. Esses mensageiros químicos também podem mandar sinais ao cérebro, pela corrente sangüínea ou por via nervosa, como nervo vago, que os envia ao núcleo solitário.

 

 
 

 

 

FUNCIONAMENTO DOS CIRCUITOS AFETIVOS

 

O sistema nervoso central desperta, regula e integra respostas emocionais. O córtex cerebral está envolvido na identificação, avaliação e tomada de decisões com base em dados sensoriais. Os pensamentos, expectativas e percepções desempenham papéis importantes para manter e dissolver afetos. A formação reticular, uma rede de células neurais alerta o córtex para informações sensoriais.

Os dados a respeito de eventos despertadores de emoção são filtrados por esse sistema. A formação reticular desperta a atenção do córtex.
O sistema límbico, um grupo de circuitos inter-relacionados desempenha papel regulatório nas emoções e motivações. Embora as funções precisas de cada estrutura ainda não sejam clara, é certo que a informação sensorial passa pelo sistema límbico em sua trajetória para o córtex. Esse emite mensagens para outras áreas cerebrais. O hipotálamo, uma estrutura límbica responsável pela ativação do sistema nervoso simpático durante emergências está envolvido em situações de medo, raiva, fome, sede e atração sexual.

 

 

 

Fonte:

NEWEN, Albert. ZINCK Alexandra. O jogo das emoções. Mentes & Cérebro. n. 195, p.38-45, abr. 2009

 

 

 

 

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