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6 - DORMIR BEM E BASTANTE

 

O sono é fundamental para o bem-estar: é nesse momento que, sem parar de funcionar, o cérebro descansa, reorganiza as memórias do dia - e se prepara para lidar de maneira saudável com o stress do dia seguinte. Durante a fase sem sonhos de cada noite ocorre o único período do dia em que o sistema nervoso simpático, responsável pela resposta ao stress de disponibilização de energia para a ação, é totalmente desligado. Em seu lugar, o sistema parassimpático reina sozinho sobre o corpo, permitindo que ele reduza o metabolismo e reponha suas reservas energéticas.
Já falta de sono é por si só um stress: a insônia leva à liberação de altos níveis de cortisol no sangue, o que desencadeia alterações no comportamento. Pesquisas realizadas com ratos impossibilitados de dormir mostram, por exemplo, que os animais se tornam mais agressivos. Longos períodos de vigília prejudicam a memória e a cognição.
Além disso, a relação entre o sono e a regulação da resposta ao stress faz com que a falta de sono leve a problemas de saúde associados ao stress crônico. Um estudo recente mostrou que, entre pessoas que dormem seis horas e meia por noite, aquelas com o sono fragmentado, que acordam várias vezes durante a noite, têm níveis mais altos de gordura e cortisol no sangue, e pressão arterial elevada. O problema se agrava porque a ansiedade associada ao próprio stress crônico pode levar a insônia e fragmentação do sono - o que agrava a resposta crônica de stress, e torna o adormecimento ainda mais difícil. Outro estudo mostrou que a falta de sono é duplamente maléfica à capacidade do cérebro de regular a resposta ao stress, pois não só reduz a produção de neurônios novos no hipocampo como ainda aumenta a morte dos neurônios que já estão lá.

 

7 - ALIMENTO PARA PENSAR MELHOR

 

O que comemos pode influir na maneira como raciocinamos? Pesquisas mostram que sim, já que o cérebro é o órgão mais exigente do corpo - e tem algumas necessidades dietéticas específicas. Não é de estranhar, portanto, que mante-lo adequadamente alimentado favoreça mecanismos cognitivos e mnemónicos. Uma providência que pode contribuir, logo cedo, para a acuidade das funções cognitivas é tomar café da manhã. Estudos revelam que deixar de lado a primeira refeição do dia reduz o desempenho intelectual.

 

 

SALADAS SÃO FUNDAMENTAIS, já que o cérebro produz grande quantidade de energia - e também muitos radicais livres. Por serem antioxidantes, as vitaminas C e E atuam como neuroprotetores. A vitamina BI 2 e o ácido fólico melhoram a memória. A ingestão de verduras e legumes crus, ricos em vitaminas e betacarotenos, ajuda a manter os neurônios em bom estado. Recentemente, o biólogo Dwight Tapp e colegas da Universidade da Califórnia, em Irvine, comprovaram que uma dieta rica em antioxidantes melhorava as aptidões cognitivas de 39 beagles adultos - provando que é possível ensinar novos truques a um cão velho. Tudo leva a crer que humanos também se beneficiem de regimes alimentares que combatem o "enferrujamento" cerebral.
Para completar o almoço, um iogurte é boa opção. O alimento contém o aminoácido tirosina, necessário para a produção dos neurotransmissores dopamina e noradrenalina, entre outros/Estudos realizados pelas Forças Armadas Americanas revelam que há redução dos estoques de tirosina quando estamos sob tensão e que a suplementação pode melhorar o estado de alerta e a cognição.

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

Pesquisa desenvolvida pela nutricionista Barbara Stewart-Knox, professora da Universidade de Ulster, Reino Unido, e publicada em 2003, mostrou que crianças que tomam o café da manhã com bebidas gasosas e petiscos açucarados tiveram desempenho similar ao de pessoas com 70 anos em testes de memória e atenção. Segundo a pesquisadora, a ingestão de torradas aumentou a pontuação das crianças numa variedade de testes cognitivos, mas quando os exercícios ficaram mais complexos, os voluntários que tomaram, no café matinal, cereais com alto teor de proteínas obtiveram melhores resultados.

 

 

A despeito da polêmica que o consumo de ovos tem despertado, estudos recentes indicam que o omelete é uma escolha inteligente para o almoço se feito praticamente sem gordura, acompanhado de salada. O ovo é rico em colina, substância usada pelo organismo para produzir o neurotransmissor acetilcolina. Pesquisadores da Universidade de Boston, Estados Unidos, constataram que, quando administrado em adultos jovens, o fármaco escopolamina, que bloqueia os receptores de acetilcolina no cérebro, reduz significativamente a capacidade de memorização de pares de palavras.

 

 

Baixos níveis do neurotransmissor também estão associados à doença de Alzheimer; alguns estudos sugerem que o aumento dessa substância na dieta pode diminuir o ritmo da perda de memória relacionada à idade.
Para manter os níveis de glicose em alta, convém fazer um lanche no meio da tarde. Só tenha o cuidado de evitar as comidas calóricas com baixo valor nutritivo e, particularmente, guloseimas altamente processadas, como bolos, massas doces e salgadas e biscoitos, que contêm ácidos graxos trans. Elas não provocam apenas acúmulo de quilos. Há três anos, durante o congresso anual da Sociedade de Neurociência em San Diego, Califórnia, foi relatado que ratos e camundongos criados com junkjood para roedores tiveram dificuldade de encontrar saída em labirintos e levaram mais tempo para lembrar soluções de problemas que já tinham resolvido. Quando esses animais receberam uma droga para reduzir os níveis de triglicérides, seu desempenho nas tarefas de memorização melhorou.

 

 

 

PESQUISAS COM ratos conduzidas pelo neurocientista Michael Meaney, da Universidade Mc-Gill, no Canadá, apontam como o carinho recebido na infância pode afetar o comportamento na idade adulta. Comparando roedores que haviam sido bastante cuidados e muito lambidos pelas mães quando pequenos aos que não haviam sido, o pesquisador verificou, em 1997, que os primeiros apresentavam menos ansiedade e stress em uma situação difícil. Em 2004, a equipe de Meaney verificou que a expressão do gene para o receptor do hormônio do stress muda conforme os tipos de cuidados que os ratos recebem quando filhotes.
 

 


 

 

 

Continua

 

 

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