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Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
6 - DORMIR BEM E BASTANTE
O sono é fundamental para o bem-estar: é
nesse momento que, sem parar de funcionar, o cérebro descansa,
reorganiza as memórias do dia - e se prepara para lidar de maneira
saudável com o stress do dia seguinte. Durante a fase sem sonhos de cada
noite ocorre o único período do dia em que o sistema nervoso simpático,
responsável pela resposta ao stress de disponibilização de energia para
a ação, é totalmente desligado. Em seu lugar, o sistema parassimpático
reina sozinho sobre o corpo, permitindo que ele reduza o metabolismo e
reponha suas reservas energéticas.
Já falta de sono é por si só um stress: a insônia leva à liberação de
altos níveis de cortisol no sangue, o que desencadeia alterações no
comportamento. Pesquisas realizadas com ratos impossibilitados de dormir
mostram, por exemplo, que os animais se tornam mais agressivos. Longos
períodos de vigília prejudicam a memória e a cognição.
Além disso, a relação entre o sono e a regulação da resposta ao stress
faz com que a falta de sono leve a problemas de saúde associados ao
stress crônico. Um estudo recente mostrou que, entre pessoas que dormem
seis horas e meia por noite, aquelas com o sono fragmentado, que acordam
várias vezes durante a noite, têm níveis mais altos de gordura e
cortisol no sangue, e pressão arterial elevada. O problema se agrava
porque a ansiedade associada ao próprio stress crônico pode levar a
insônia e fragmentação do sono - o que agrava a resposta crônica de
stress, e torna o adormecimento ainda mais difícil. Outro estudo mostrou
que a falta de sono é duplamente maléfica à capacidade do cérebro de
regular a resposta ao stress, pois não só reduz a produção de neurônios
novos no hipocampo como ainda aumenta a morte dos neurônios que já estão
lá.
7 - ALIMENTO PARA PENSAR MELHOR
O que comemos pode influir na maneira
como raciocinamos? Pesquisas mostram que sim, já que o cérebro é o órgão
mais exigente do corpo - e tem algumas necessidades dietéticas
específicas. Não é de estranhar, portanto, que mante-lo adequadamente
alimentado favoreça mecanismos cognitivos e mnemónicos. Uma providência
que pode contribuir, logo cedo, para a acuidade das funções cognitivas é
tomar café da manhã. Estudos revelam que deixar de lado a primeira
refeição do dia reduz o desempenho intelectual.
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SALADAS SÃO
FUNDAMENTAIS, já que o cérebro produz grande quantidade de energia - e
também muitos radicais livres. Por serem antioxidantes, as vitaminas C e
E atuam como neuroprotetores. A vitamina BI 2 e o ácido fólico melhoram
a memória. A ingestão de verduras e legumes crus, ricos em vitaminas e
betacarotenos, ajuda a manter os neurônios em bom estado. Recentemente,
o biólogo Dwight Tapp e colegas da Universidade da Califórnia, em
Irvine, comprovaram que uma dieta rica em antioxidantes melhorava as
aptidões cognitivas de 39 beagles adultos - provando que é possível
ensinar novos truques a um cão velho. Tudo leva a crer que humanos
também se beneficiem de regimes alimentares que combatem o "enferrujamento"
cerebral.
Para completar o almoço, um iogurte é boa opção. O alimento contém o
aminoácido tirosina, necessário para a produção dos neurotransmissores
dopamina e noradrenalina, entre outros/Estudos realizados pelas Forças
Armadas Americanas revelam que há redução dos estoques de tirosina
quando estamos sob tensão e que a suplementação pode melhorar o estado
de alerta e a cognição.
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Pesquisa desenvolvida pela nutricionista Barbara Stewart-Knox,
professora da Universidade de Ulster, Reino Unido, e publicada em 2003,
mostrou que crianças que tomam o café da manhã com bebidas gasosas e
petiscos açucarados tiveram desempenho similar ao de pessoas com 70 anos
em testes de memória e atenção. Segundo a pesquisadora, a ingestão de
torradas aumentou a pontuação das crianças numa variedade de testes
cognitivos, mas quando os exercícios ficaram mais complexos, os
voluntários que tomaram, no café matinal, cereais com alto teor de
proteínas obtiveram melhores resultados.
A despeito da polêmica que o consumo de ovos tem despertado, estudos
recentes indicam que o omelete é uma escolha inteligente para o almoço
se feito praticamente sem gordura, acompanhado de salada. O ovo é rico
em colina, substância usada pelo organismo para produzir o
neurotransmissor acetilcolina. Pesquisadores da Universidade de Boston,
Estados Unidos, constataram que, quando administrado em adultos jovens,
o fármaco escopolamina, que bloqueia os receptores de acetilcolina no
cérebro, reduz significativamente a capacidade de memorização de pares
de palavras.
Baixos níveis do neurotransmissor também
estão associados à doença de Alzheimer; alguns estudos sugerem que o
aumento dessa substância na dieta pode diminuir o ritmo da perda de
memória relacionada à idade.
Para manter os níveis de glicose em alta, convém fazer um lanche no meio
da tarde. Só tenha o cuidado de evitar as comidas calóricas com baixo
valor nutritivo e, particularmente, guloseimas altamente processadas,
como bolos, massas doces e salgadas e biscoitos, que contêm ácidos
graxos trans. Elas não provocam apenas acúmulo de quilos. Há três anos,
durante o congresso anual da Sociedade de Neurociência em San Diego,
Califórnia, foi relatado que ratos e camundongos criados com junkjood
para roedores tiveram dificuldade de encontrar saída em labirintos e
levaram mais tempo para lembrar soluções de problemas que já tinham
resolvido. Quando esses animais receberam uma droga para reduzir os
níveis de triglicérides, seu desempenho nas tarefas de memorização
melhorou.
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PESQUISAS COM ratos
conduzidas pelo neurocientista Michael Meaney, da Universidade Mc-Gill,
no Canadá, apontam como o carinho recebido na infância pode afetar o
comportamento na idade adulta. Comparando roedores que haviam sido
bastante cuidados e muito lambidos pelas mães quando pequenos aos que
não haviam sido, o pesquisador verificou, em 1997, que os primeiros
apresentavam menos ansiedade e stress em uma situação difícil. Em 2004,
a equipe de Meaney verificou que a expressão do gene para o receptor do
hormônio do stress muda conforme os tipos de cuidados que os ratos
recebem quando filhotes.
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Continua
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