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4 - O DESAFIO DE LIDAR

COM O STRESS

 

Muitos dos transtornos que afligem o cérebro, como a depressão e a mania, podem ser disparados em períodos de stress intenso. Isso não significa, no entanto, que o stress, por si só, seja sempre um vilão. E fundamental que possamos identificar situações ameaçadoras e reagir a elas de forma condizente. O stress agudo tem efeitos benéficos sobre a memória e a resposta imunológica. A resposta imediata a ele é altamente desejável, pois nos permite resolver as mais diferentes situações.

O cérebro, porém, não apenas responde, mas também antecipa possíveis situações estressantes. Algumas preocupações são saudáveis, embora deflagrem uma espécie de stress antecipado, chamada de ansiedade, que pode ser percebido como indesejável. Em doses saudáveis, no entanto, essa Habilidade de "pré-ocupar-se" evita que nos coloquemos em situações problemáticas, o que é favorável - desde que nas horas certas.
A ansiedade crônica, porém, diminui a qualidade de vida ao prazer com que o cérebro 'crie" seu próprio stress crônico, apontado pela neurociência hoje como o vilão da história. Por meio da produção sustentada de doses maciças de hormônios glicocorticóides no sangue, que agem diretamente sobre neurônios do cérebro, levando-os à morte, a resposta de stress prolongada e exagerada acaba por tornar ruim para corpo e cérebro tudo o que inicialmente era bom.

 

 

UMA DAS funções importantes do sono é a consolidação de memórias. As atividades cerebrais envolvidas nesse processo foram pesquisadas e descritas pelo neurocientista brasileiro Sidarta Ribeiro, diretor de pesquisas do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS). Segundo ele, quando uma pessoa dorme, modulam-se desde processos moleculares dentro dos neurônios até modificações eletrofisiológicas em múltiplos circuitos neurais. Além disso, durante a fase do sono com intensa atividade onírica (conhecido como sono REM), ocorre a expressão dos genes que ajudam a perenizar conexões sinápticas recém-utilizadas.

 

 

 
 

 

 

 

 

 

5 - A FORÇA DOS EXERCÍCIOS

 

Boa parte dos problemas de saúde mental dos idosos é causada ou agravada pela má saúde física. A troca de massa muscular por gordura, a tendência ao sedentarismo e à hipertensão comprometem o desempenho cardiovascular, o que aumenta 3 possibilidades de ocorrência de microderrames e acidenres vasculares - sobretudo por causa do acúmulo de placas ateroscleróticas nas artérias, com o passar do tempo.
O exercício físico intenso também é um dos melhores estabilizadores de humor que a neurociência moderna conhece.

 

No final dos anos 90, a neurociência descobriu que a ação antidepressiva e estabilizadora do humor do exercício físico está relacionada a uma ação surpreendente do corpo sobre o cérebro: a capacidade de fazer com que aumente a produção de neurônios novos no hipocampo e no sistema de recompensa.
Hoje se sabe que o hipocampo, conhecido por seu papel na formação de novas memórias, também atua como a origem de um sistema de alarme que nos lembra de tarefas a cumprir e gera a ansiedade que nos chama a atenção para os deveres. Como os neurônios novos no hipocampo têm ação inibitória, funcionam como um freio que mantém sob controle a percepção do stress e a resposta a ele. Disfunções nesse sistema, como a perda do controle inibitório interno do hipocampo, causam ansiedade e aumentam a resposta ao stress.
Aqui está a importância dos ansiolíticos, substâncias capazes de aumentar diretamente a inibição dentro do hipocampo e, portanto, conter a resposta ao stress. E aqui está, também, o local de ação de todos os tratamentos com efeitos antidepressivos - incluindo o exercício físico. Os efeitos se dão através da produção de um fator de crescimento, chamado BDNF, em resposta a antidepressivos, lítio, eletrochoque - e exercício físico.

 

Contar com maior quantidade de neurônios no hipocampo antes de ocorrerem situações es-tressantes também confere uma grande vantagem ao cérebro: ele responderá de forma mais adequada (e saudável) em situações de stress crónico. O aumento de células neurais a cada dia pode até dobrar se acrescentamos o exercício físico à rotina.

 

 

O SEDENTARISMO é o grande vilão no desencadeamento de algumas formas de demência, indicam as pesquisas. Um trabalho desenvolvido pela Universidade Harvard e outras três instituições com mais de 18 mil mulheres entre 70 e 81 anos apontou que, quanto maior o tempo dedicado às atividades físicas, em especial as caminhadas, mais lento é o declínio cognitivo. Esse foi um dos primeiros trabalhos a explorar a relação específica entre caminhada e função cognitiva, e os resultados foram publicados em 2004 no fournal of the American Medicai Association.

 

 

 

 

Continua

 

 

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