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Parte 2
1 - OUVINDO EMOÇÕES
O que sentimos é resultado da capacidade do cérebro de alterar a si mesmo e ao corpo em resposta às mais variadas situações ou, às vezes, à simples visão ou memória de uma pessoa, animal ou objeto. A primeira consequência dessa transformação (de expressão, comportamento, temperatura, funcionamento de órgãos etc.) é que ficamos mais aptos a lidar com as variadas situações. Outra consequência é que as mudanças corporais nos permitem reconhecer emoções, como se fossem assinaturas.
Uma das descobertas surpreendentes da
neurociência é que as emoções são fundamentais para tomarmos boas
decisões. Ao contrário do que diz o senso comum, emoções não são
ilógicas, o oposto da racionalidade, e sim a demonstração mais rápida da
lógica fundamental do cérebro de cada um, provocadas no corpo com base
nas experiências anteriores daquela pessoa. Como as estruturas cerebrais
envolvidas, no sistema límbico, têm acesso privilegiado à memória de
situações anteriores similares, uma resposta emocional pode ser
oferecida em cada caso bem antes que elaborações racionais tenham tempo
de acontecer.
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2 - PRAZER FAZ BEM
Temos no cérebro uma estrutura de cerca de l centímetro de diâmetro, chamada núcleo accumbens, com poderes particularmente interessantes: ela nos permite sentir prazer. Quanto mais intensa for sua ativação, maior é a sensação alcançada, que vai da leve satisfação à franca euforia. Ativar esse processo é algo simples e ao nosso alcance, que podemos fazer várias vezes por dia. Basta fazer algo que o cérebro considere que deu certo: resolver mentalmente um problema, concluir um trabalho, passar de fase no videogame, beijar pessoas amadas, comer algo de que gostamos ou ouvir uma boa música. Ao reconhecer que fomos bem-sucedidos em algo, que atendemos às expectativas ou admitirmos que somos interessantes por alguma razão, o córtex cerebral providencia uma dose de dopamina para o núcleo accumbens. Quanto mais o núcleo recebe esse neurotransmissor, mais ativo ele fica e mais prazer nos proporciona. Os mecanismos que promovem essa sensação, porém, ainda são um mistério para a ciência.
Esse prazer com o que fazemos corretamente - proporcionado pelo accumbens e estruturas associadas a ele que formam o sistema de recompensa do cérebro - é a base neurológica da satisfação e da auto-estima.
3 - HORA DE RIR, HORA DE CHORAR
Em linhas gerais, podemos dizer que felicidade é o estado do cérebro que vê tudo dando certo: emoções positivas inibem o córtex cingulado anterior (uma espécie de centro de alarme cerebral), e provocam maior atividade elétrica no lado esquerdo do córtex frontal. O sorriso, expressão mais evidente do bem-estar, aparece quando as regiões do córtex que cuidam de programas motores fazem o músculo zigomático elevar os cantos da boca, e o orbicular dos olhos apertar levemente as pálpebras; o músculo corrugador da testa (que eleva as sobrance lhas em situações de medo ou espanto), relaxa. Além disso, é acionado o córtex orbito-frontal, que registra quando algo de bom acontece - como, por exemplo, a causa do sorriso. O gesto genuíno de sorrir coincide com o aumento da atividade da região frontal esquerda, associada à felicidade.
O sorriso ainda tem a vantagem de ser contagioso. Ver alguém sorrir ativa as mesmas áreas do cérebro acionadas quando nós mesmos sorrimos, incluindo as regiões corticais motoras e o córtex da ínsula anterior, responsáveis pelas sensações subjetiva do corpo, como o bem-estar associado ao sorriso.
Apesar dos benefícios cerebrais da alegria, ela deve ter hora - da mesma forma que a tristeza, uma emoção também importante e útil. Em algumas situações extremas, como a perda de pessoas queridas, a tristeza profunda é a única resposta razoável de um cérebro saudável. A depressão, ao contrário, é um estado de tristeza não justificada. Como ela, também existe o estado de felicidade e motivação desmedidas, exageradas, que não refletem a realidade da vida: é a euforia (ou mania), condição que à primeira vista parece bênção, mas rapidamente se torna maldição - e que a neurociência começa a entender como um estado de ativação exagerada do sistema de recompensa, típico de transtorno bipolar.
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