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que sofrem como ele, lutam como ele, sentem-se desamparados como ele."
Assim, um sujeito só, abandonado e desamparado, vê-se facilmente convidado a cair na rede psíquica regida pela pulsão de morte. A esse empobrecimento nas relações afetivas corresponde uma busca de compensações por meio de uma avidez de ganhos, de bens de consumo, de sexualidade promíscua ou uso de drogas.
Se fôssemos descrever o sujeito contemporâneo que queremos abordar, teríamos de pensar em pessoas que não se lembram de seus sonhos, que não fazem lapsos e que não fantasiam. Muito diferente do sujeito freudiano, vemos pessoas que se questionam sobre o sentir, sobre o que são os sentimentos, como se só os outros tivessem sentimentos! Elas buscam o olhar do outro como que para provar a própria existência! Com isso, não só a imagem adquire uma relevância nunca dantes havida, mas também as patologias se revestem de características próprias, como o crescimento dos casos de bulimia e anorexia nos permite inferir.


AS CONSEQUÊNCIAS


E dentro desse espectro, de mudanças nas expressões sintomáticas, que entendemos como é importante estudarmos as compulsões. Precisamos refletir não só sobre as patologias que afligem os clientes que nos procuram, mas, principalmente, discutir a prática clínica que mais se adapta a eles. Pensamos que, com a enorme compressão do espaço tempo que nos atinge na contemporaneidade, a possibilidade de encontrarmos espaço para o cuidado ao outro se estreita cada vez mais.

 
 


 Isso é particularmente patogênico no cuidado que as mães devem dar aos bebês, uma vez que a grande disponibilidade que o bebê exige de sua mãe sofre restrições de toda ordem. A uma mãe menos disponível, corresponde um bebê mais exposto ao desamparo; e isso ocorre em uma fase do desenvolvimento em que a experiência de desamparo está intimamente conectada à angustia de aniquilamento.

O bebê, que se vê fraco diante das suas necessidades não atendidas, tende a viver essas faltas como uma descontinuidade do viver; algo como uma terrível vivência de horror sem que haja um psiquismo capaz de digerir convenientemente essas vivências. Decorre daí as falhas na constituição do ser, a tendência aos ataques de pânico e uma busca de cobrir essas vivências i com toda a sorte de sintomas possível: sendo a compulsão uma dessas possibilidades. E nesse sentido que a compulsão se mantém: enquanto está concentrado no ato compulsivo, o indivíduo se protege de irrupções de angústia inomináveis e insuportáveis.
  Os psicanalistas crêem que a melhor forma de lidar com esses sintomas seja, justamente, acompanhar o cliente de maneira a ajudá-lo a encontrar outras formas de manejo de seu desamparo e de sua angústia, diminuindo o excesso pulsional por meio do incremento de sua capacidade de pensar.

 

continua
 

 

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