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Material Psíquico

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  Apresentamos o segundo dossiê sobre Compulsão, tema do XXII Congresso brasileiro de Psicanálise, que acontecerá de 29 de abril a 2 de maio de 2009, no Hotel Interconti¬nental do Rio de Janeiro, promovido pela Federação Brasileira de Psicanálise (Febrapsi).
O desenvolvimento psíquico ocorre por meio da elaboração de experiências emocionais desde o nosso nascimento. Essas experiências acontecem primeiramente no contato interpessoal mãe-bebê, estendendo-se para o meio familiar e o de grupo. Durante este processo, a mente pode estruturar um transtorno mental, como a compulsão.
Ela é persistente, estereotipada e sentida como ameaçadora a sí. Os sintomas compulsivos são maneiras de elaborar um material psíquico "indigesto" ao seu psiquismo. São comportamentos que estão acima de qualquer grau de razoabilidade ou de bom-senso. Lavar as mãos a cada instante até o ponto de ferir-se fisicamente; executar repetida e minuciosamente uma série pré-programada de atos; torturar-se com ideias fixas de culpa ou de terror por uma punição divina; verificar portas, fechaduras e janelas várias vezes seguidamente; ingerir alimentos sem controle e acima da capacidade natural do estômago; jogar até perder todo o dinheiro; atualmente temos, por exemplo, a adição à informática citada no primeiro número deste encarte, parte integrante da edição 39 da revista. Esses são alguns exemplos de compulsão.
Os comportamentos compulsivos demonstram claramente a existência de um sofrimento mental. A ação compulsiva tem por objetivo livrar a pessoa da angústia que certas ideias, pensamentos e afetos produzem em seu mundo mental.
 

 
 

 

 

 

Porém, essa ação não elimina essas ideias, afetos e pensamentos desagradáveis, o que leva a pessoa a repetir constantemente tais comportamentos, para eliminá-los. Dessa maneira, o indivíduo torna-se refém dessas ações, perdendo sua liberdade e o comando de sua própria vida.
A compulsão é uma atividade exercida de forma completamente cega, repetitiva e inexorável.

 

Seu poder é sentido na própria atividade, seja na repetição de uma palavra ou frase ou numa ação automatizada, como uma maneira de elaborar ideias, pensamentos e afetos que não puderam ser traduzidos em linguagem, o que possibilitaria serem compartilhadas com outras pessoas.
  A mente humana trabalha sobre as experiências emocionais vivenciadas no cotidiano para lhes fornecer uma representação, permitindo pensar a respeito delas e dar um sentido à vida humana. A pessoa que padece de compulsão representa suas experiências emocionais por meio de ações compulsivas, mostrando o domínio de seu sofrimento, de sua angústia, sobre sua mente. Seu movimento é de fuga, mesmo que à custa da possibilidade de satisfação e de significação. O indivíduo só tem controle sobre sua situação compulsiva quando ele se concentra em mudar o rumo de seus pensamentos. Mas o comportamento compulsivo retorna assim que ele se distrai ou tenta mudar o foco de sua atenção.
O trabalho psicanalítico oferece a possibilidade de construir uma personalidade menos rígida, mais flexível, maleável e rica, de maneira a que as pessoas possam entrar em contato com os conteúdos de sua mente e encontrar novas formas de lidar com eles. No lugar de construírem sintomas, podem encontrar e representar seus pensamentos, sentimentos e conflitos dando-lhes um destino criativo e útil em suas vidas.

 

Continua
 

 

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