Cocô Na calça

Com fúria no olhar, a mãe está a mostrar,
Para a filha de quatro anos, o cocô na calça a cheirar.
Apavorada a filha fica a tremer,
Com medo do que vai acontecer.
Entre gritos e tapas, a mãe fica a xingar.
No quarto escuro, deixa a filha ficar.
Oh! castigo cruel!
No escuro, vem os fantasmas a assustar.
Como fugir do terror, que está a atormentar?
Na testa, o suor a pingar;
Nas pernas, o xixi a escorrer;
Não sabe o que fazer.
O tempo não passa, pensa que vai morrer.
De seus brinquedos começa a se despedir.
No peito uma dor,
No rosto uma expressão de pavor.
Pensa que sua mãe a deixou de amar.
Na escuridão fica a chorar.
A porta se abre, a luz volta a brilhar;
Mais uma vez a mãe faz a filha cheirar,
O cocô da calça, para lembrar,
Que é proibido, cocô na calça fazer.
A mãe acredita que a filha a lição aprendeu.
A filha nunca mais, cocô na calça fez.
O tempo passou, a filha cresceu.
Uma linda mulher se tornou.
Com muitas limitações que a faziam sofrer.
O medo do escuro somava-se a outros medos,
Medo de lugares fechado, sofria de claustrofobia;
Medos que cerceavam sua vida e a alegria de viver.
O trauma do cocô na calça, muitos transtornos provocou. |
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Com mania de limpeza fica a esfregar.
Tudo tinha que brilhar para a sujeira tirar.
Como tirar as marcas do erro, da reprovação e da condenação?
O episódio do cocô na calça foi determinante para o desencadeamento de
todos estes transtornos, que passaram a limitar a vida deste ser.
Aos pais um conselho, as palavras e ações, especialmente na infância,
são decisivas na construção da vida de um ser, elas são modeladoras e
direcionam nossas escolhas. Nossa vida é o reflexo de nossas escolhas.
*Artigo inspirado em fatos reais*
Autoria, produção e publicação:
Claudete de Morais
Psicóloga CRP/12/01167.
Direitos
Autorais Reservados.
Proibida
Reprodução.
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