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Parte 4

 

RACIOCÍNIO E IDEOLOGIAS


Podemos distinguir dois tipos de construções teóricas: abstrações para pensar e abstrações concretizadas. As abstrações para pensar são aquelas usadas e desenvolvidas para facilitar o raciocínio e podem ser exemplificadas por conceitos e modelos matemáticos. As abstrações concretizadas são desenvolvidas pelas sociedades ao longo de sua história nas estruturas ideológicas e religiosas, sendo elas a principal fonte de criação de hábitos, normas padrões e regras que são consideradas como parte de nossas vidas. Contudo, nas sociedades altamente tecnológicas, a principal fonte de criação e construção de normas é a própria abstração para pensar. Logo, temos uma formalização da sociedade como um todo - linguagem, ações, rotinas, comportamento—, todos formatados a partir da criação e construção de novas formas de gerenciar, isto é, de uma maneira algorítmica prescrita de ver e viver nos novos tempos (SKOVS-MOSE, 2001). A necessidade de se aprender matemática e de se pensar matematicamente no mundo moderno está intimamente ligada ao acelerado desenvolvimento tecnológico da humanidade nos últimos anos. Mas os projetos apontam que, para exorcizar o fracasso escolar em matemática, é necessário apostar em mudanças na escola, na sala de aula, no aluno, no professor. Mudança pode significar a obtenção de um ambiente de aprendizagem culturalmente sensitivo; pode significar otimização de currículos; introdução de novas tecnologias ou introdução de novos métodos, conhecimentos, prática e crenças dos professores; ou, simplesmente, uma tentativa de melhora na relação ensino-aprendizagem a partir do fato de que os alunos têm a possibilidade de completar seu ciclo de desenvolvimento do conhecimento (BICUDO, 1999). Neste contexto, existe urgência de socializar as informações desta área do conhecimento humano para demonstrar determinados fatores e pontos onde apenas o conhecimento pedagógico não é suficiente. Também é preciso entender que o fato de que parte das crianças não obter sucesso em conceitos da matemática é, com muita propriedade, a conclusão de que acima de tudo falta emoção, aplicação e, principalmente, a capacidade de entender o que está sendo pedido. Afinal, é necessário o aluno saber ler e escrever entendendo o que está sendo pedido.
Outra dica das neurociências aos pedagogos e educadores: quanto mais recursos forem empregados na transmissão de uma informação, tanto melhor ela se fixará na memória de longa duração.
 

 
 

 

 

 

 

 

É mais fácil aprender com a colaboração do maior número possível de órgãos dos sentidos. Como todos os neurônios se comunicam por sinais elétricos, tanto faz ativá-los mediante a visão, o tato, a audição, o movimento ou a mera reflexão. Também é importante detalhar o enunciado dos problemas, principalmente em tópicos que solicitem conhecimentos da matemática. A socialização de conhecimentos da neurobiologia contribuirá profundamente para os educadores entenderem com mais clareza as dificuldades dos alunos e, desta forma, poder auxiliá-los.

Há, enfim, evidentes tópicos que demonstram claramente a necessidade de conscientizar os professores e a família em geral de que é preciso obter conhecimentos da neurobiologia e, principalmente, refletir e mudar algumas atitudes não só no processo de ensino e aprendizagem, mas também no próprio lar. E necessário alterar as formas de ministrar aulas, provocar motivação e criar novas maneiras de transformar determinados conhecimentos em assuntos prazerosos e estimulantes ao aprender, respeitando os limites do aluno.

 

EMOÇÃO NO ENSINO

O aprendizado é um processo contínuo, incessante, que nos acompanha durante toda a vida. A conscientização de que conhecimentos da neurobiologia podem ser aplicados de maneira positiva no ambiente familiar e escolar deve provocar novas formas de trabalhar o processo de ensino e aprendizagem - desde que seja sempre respeitada a velocidade de aprendizado de cada aluno e suas limitações. Isso tudo requer mudanças de atitudes, como uma nova forma de preparar as aulas, a criação de aulas emocionantes, destacando aplicações imediatas do conhecimento transmitido, o tempo para que o processo de consolidação cerebral de cada aluno conclua o aprendido e a urgente conscientização do próprio Estado com relação a recursos e autonomia do professor.

 

 

 

Fonte: Cabello. Carlos Alberto de Souza e Siniscalchi. Mariangela H. S, (Ciencia & Vida apud Org.: CABELLO, Carlos Alberto de Souza e SINISCALCHI, Mariangela H. S. Aprender na Infância. Uma contribuição da Psicanálise. Ed. Casa do Psicólogo. (No prelo, a ser lançado em abril de 2009).AQU1NO, Júlio Groppa; I
cas. São Paulo: SUMMUS, BORGES, F. Eviíázio: A educação _c Pauius, 1999.
COLL, César: Desenvolvimento psicológico e educação: necessidades educativas especiais e aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artmed , 2002. MEC: Parâmetros curriculares caáonais: Ensino Fundamenta!, Brasília, 1999. LURIA, Romanovich Aieksandre: A mente e a memória. São Pauio: Martins Fontes, 1999. MACHADO, Nilson José: Epistemoíogia e Didática:As concepções de conhecimento e inteligência e a pratica docente. São Paulo: Cortez, 1995. NÓVOA, Antônio: Profissão Professor. Lisboa: Porto, 1992.
PERRENOUD, Phillipe: La pédagogie à écoíe des différences. Paris: ESF, 1995.
SKOYSMOSE, Ole: Educação matemática crítica:a questão da democracia. São Pauío: Papirus Editora. 2001. TÍBA, íçami: Ensinar aprendendo: novos Integrare Editora, 2006.


 

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