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Afinal, o que quer o compulsivo por
informação? Em primeiro lugar, aprender tudo, alimentar-se de
conhecimento, saciar sua sede de saber. Em segundo, que este saber
responda a todas as perguntas, como uma coleção de figurinhas que se
completa, adquirindo os números faltantes. O problema é que, na
realidade, sempre falta algo, porque o saber não é estático. Os
compulsivos não se conformam com isso. Com o aumento gigantesco do
acesso à informação, boa parte das pessoas liberou seu lado compulsivo
adormecido.
TRIUNFO DO NOVO HOMEM
A partir dos anos 1980, com a necessidade
de competir num mercado superlotado, as novas gerações desenvolveram o
hábito ou a capacidade de focar sua atenção em vários objetos
simultaneamente, com prejuízo do rendimento sobre cada um deles. A
compulsão à
informação colocou-se a serviço da corrida profissional. E o
triunfo do novo homem, dos jovens sobre os velhos, da geração do
computador sobre os ratos de biblioteca. Contudo, todo excesso tem seus
efeitos colaterais. O limite extrapolado pode fugir ao alcance da
organização mental. "É ilegal, imoral e engorda", já diziam Roberto e
Erasmo Carlos. Os consultórios de profissionais de saúde mental recebem
um número crescente de pacientes que, durante anos a fio, se submetem a
um regime espartano de estudos. Vivem trancados em casa por exigência
dos concursos públicos. E a promessa da garantia da emancipação, da
liberdade, em troca da perda da própria liberdade. O resultado, muitas
vezes, é o colapso mental pela obsessão de quebrar uma corrente de
reprovações ao longo de anos. No caso, a compulsão pela informação
obedece ao jugo de um severo interrogador. |
A internet, esta grande feiticeira, é o centro das discussões sobre a escravização do homem à informação. O medo de sair de casa pode servir de pretexto para substituir a sexualidade, sublimando os desejos de corpos do mundo real, externo, pela regressão viciante com a máquina. Não há fantasia audiovisual que a web não satisfaça. Cada link remete a centenas de milhares de ilhas de saber, enlouquecendo o pesquisador em busca da certeza definitiva, que nunca será encontrada.
Ele pode imaginar o que quiser, manter
contato com quem quiser, viajar para lugares nunca antes imaginados ou
visitados, inclusive outros planetas, desde que aceite as regras da
distância. Ou então realizar o desejo de encontrar o par ideal. "Você
pode começar a namorar já", diz a propaganda dirigida aos solitários
carentes.
ECO DE CONSCIÊNCIA
Como podemos combater nossas tendências à
compulsão pela informação? O isolamento é sempre um aliado do nosso
narcisismo. Faz que nos voltemos para nossas lembranças, nossas
vivências passadas, nossos erros e recriminações. As informações devem
ser compartilhadas. É preciso tolerar o convívio saudável dos
comentários que nos acrescentem. O pensamento isolado raramente
frutifica. As grandes bibliotecas são fascinantes em sua penumbra
misteriosa, no silêncio quebrado pelo folhear das grandes obras. A
intimidade com o computador o transforma em um amigo que responde a
todas as nossas questões, mas que não nos questiona. Obedece
mecanicamente às nossas ordens, como um eco de nossa consciência. Muitas
respostas têm de brotar de nossa reflexão, em vez de virem prontas. Não
so¬mos imitadores nem papagaios dos grandes cientistas ou dos grandes
filósofos.
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